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IMPLANTAÇÃO DO SUBSISTEMA DE ATENÇÃO À SAÚDE INDÍGENA

A perspectiva apontada na proposta do MS/Funasa vislumbra um horizonte de três anos para a completa implantação e consolidação do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena.

Neste momento inicial, a avaliação possível de ser realizada está mais centrada no processo do que em resultados sobre o quadro de saúde. Não que este último não possa ser percebido, mas o é ainda de forma subjetiva, embora evidente, e lastreado por informações dispersas e não sistematizadas.

Diante disso a avaliação passa pelos seguintes aspectos:

a) Superação da Fase da Transição
A conjuntura em que o MS/Funasa assumiu a responsabilidade pela saúde indígena foi extremamente desfavorável. A decisão governamental gerou forte resistência no âmbito da Fundação Nacional do Índio (Funai), dificultando uma transição negociada e colaborativa.

O quadro encontrado pela Funasa era de quase completa desassistência. No entanto, cobravam-se soluções imediatas para problemas que se arrastavam há décadas.

Com extrema dificuldade, esta fase foi superada a partir da organização de esquemas emergenciais de assistência e de mobilização de recursos humanos, materiais e financeiros. Hoje, mesmo que algumas poucas áreas não contem com ações permanentes implantadas, existem alternativas provisórias que resolvem as demandas das populações indígenas.

b) Criação de Condições para Implantar o Subsistema de Atenção à Saúde Indígena
A articulação de condições necessárias para a execução das ações, embora tarefa delicada e penosa, foi sem dúvida superada com absoluto sucesso. Atesta-se isso com base nos seguintes aspectos:

  1. Definição de aspectos técnico-operacionais tais como a institucionalização dos Dsei, modelo assistencial, formação e capacitação de recursos humanos, e sistema de informações;
  2. Viabilização dos recursos necessários;
  3. Sensibilização das organizações e lideranças indígenas, gerando uma maciça adesão à proposta;
  4. Estratégia adequada de promover a operacionalização das ações mediante parceria com Municípios, Estados, Universidades e Organizações Não Governamentais, inclusive indígenas.
As condições criadas, principalmente no estabelecimento de parcerias e na disponibilização de recursos, possibilitaram que rapidamente se avançasse na contratação e capacitação de recursos humanos, aquisição de equipamentos, adequação de unidades de saúde, garantia de transporte para remoção de doentes, disponibilidade de medicamentos, entre outros aspectos.

c) Assistência Permanente
Esta é a fase atual. Juntar todas as peças e transformar o atendimento à saúde dos povos indígenas, em qualquer local do Brasil, em ação rotineira e permanente.

A perspectiva é que isso possa ocorrer em todos os Dsei a curto prazo, espaço necessário para completar o processo de contratação e capacitação de recursos humanos, alocação de equipamentos em fase de aquisição, conclusão de obras programadas e/ou em execução, melhoria no suprimento de insumos e implantação do Sistema de Informações da Saúde Indígena.

Nesta fase um dos pontos cruciais é o fortalecimento da articulação com a rede de referência do SUS, ainda em ajustes.

Recursos Financeiros

Durante o exercício de 1999, a Funasa desenvolveu um grande esforço no sentido de alocar os recursos necessários ao enfrentamento de sua nova responsabilidade. A firme decisão política da Instituição permitiu que se executasse um orçamento quase três vezes superior ao previsto inicialmente.

No total, foram empregados R$ 62 milhões, dos quais R$ 38 milhões em convênios com Estados, Municípios, Universidades e ONG e R$24 milhões em aplicação direta. Para o ano em curso, estima-se empregar R$ 106 milhões na conclusão da estruturação dos Dsei e na atenção permanente à saúde dos povos indígenas.

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